sábado, 21 de fevereiro de 2015

Janela


   Ver o mundo lá fora e se abrir para ele é necessário, mas nem sempre confortável.

 Existem janelas que abrimos por curiosidade, por esperança (por que não?) de encontrar do outro lado algo que valha o esforço. Algumas vezes dá certo. Noutras...

    Por que foi, mesmo, que eu fiz questão de soltar aquele ferrolho que há tempos estava emperrado? A vista daquela janela já nem fazia falta, já que outras haviam sido abertas! 

 Será que foi mera curiosidade em relembrar o que eu havia visto através dela? Ou foi por ter cansado do skyline que que vi nas demais? Ah, esse não-sei-quê !

    Pode ter sido, também, para arejar. Deixar a janela aberta, para que os novos ventos viessem renovar o ar aqui dentro. Mais tarde eu descubro se aconteceu! Não tenho mais pressa em ver resultados, apenas urgência em viver!

   O que nunca havia machucado assim permaneceu. E mais um lembrete se pôs à porta que se abriu quando a janela fechou: por ali não!

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

A Soma



É só a soma
Só mais um instante
Só mais uma dor
Menos um ardor
Menos um minuto
Mais uma chance

Some eu
Some você
Somamos ou sumimos nós?
Só mais uma escolha!

Hoje não mais
Amanhã (nunca) menos
Sempre mais
Só mais
Soma
Ou some

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

O nó

   




   Faz dias que inicio um texto novo e não consigo desenvolvê-lo. Hoje, conversando com uma amiga (minha gêmea), percebi o motivo. Tem um "nozinho" insistente aqui na minha garganta me atrapalhando...

   As coisas que a gente acha que não fez, as expectativas que acha que não criou, a falta que acha que não vai fazer, as certezas que acha que tem, se juntam a certo tempo e formam esse nó de marinheiro, de escoteiro, de desbravador. Todos eles juntos num só. 

   Desembaraçar essa porção de fios dá um certo trabalho, e o processo inclui as perguntas de sempre.

   Por que?

   Pra que?

   Demora?

   Podia ter sido diferente?

   Dá p voltar no tempo?

   E se...?

   Encontrar as respostas nem sempre importa tanto assim. Até porque, na maioria das vezes, não há respostas fechadas. É a vida seguindo o rumo, apenas e tão somente isso. Já aconteceu outras vezes e algumas outras ainda virão. Mas naquele pequeno relance em que a razão repousa, a emoção dá o ar da graça e "bagunça" um pouco o mundinho ajustado que você (acha que) criou para si. 

   Um olhar que se perde, uma palavra, uma ligação, um encontro, horas de conversa, de cumplicidade, de vontade. Uma confissão que te atordoa e você faz de conta que não ouviu, para não tirar os pés do chão. Uma noite não dormida (por um bom motivo), o dia seguinte, a despedida que não se sabia que seria a última. Os dias seguintes. A ausência presente. A estranha certeza de que não é só você que está tentando se entender nesse emaranhado. O laço que virou nó sem você se dar conta, e que agora você não consegue afrouxar sozinha. 

   Até que, no meio do turbilhão, você se dá conta de que nós cegos não existem. Há, talvez, falta de paciência e experiência para desfazê-los. Respirando mais fundo e desviando o olhar, você começa a enxergar de novo o caminho sem amarras que vinha trilhando, e entende que a corda que formou esse nó é a mesma que vinha te guiando sem entraves. E ela mesma é que vai te servir para te trazer de volta ao caminho.

   Always a lesson. Never a failure.

   Que venham os próximos nós. Com toda a ambiguidade da frase.