quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Let the river run...



   Perdi a conta de quantos anos se passaram. A certo ponto, na verdade, deixei de contar para tentar fazer essa passagem de tempo fluir sem machucar. Deu certo. Até que chegou o dia do reencontro. Tão inesperado como foi o desencontro, um dia.

   E agora? O que eu visto? O que eu digo? Como eu ajo? E foi só olhar que tudo isso se foi, todos os anos se resumiram a nada, o tempo não passou, e dar as mãos para uma caminhada foi automático. Porque, ao que parece, nossas almas sempre andaram de mãos dadas.

   Estar ao lado. Estar DENTRO. É... NUNCA passou!

   Quando eu internamente já apelava por ajuda para botar os pés de volta no chão, descubro que não só eu tinha isso guardado. Detalhes ocultos na poeira do tempo vieram à tona. Respiração cortada ao ouvir sobre uma roupa, sobre um gesto feito, sobre momentos vividos. Como é que ele se lembra disso? Caramba...e como esquecer?

   Por fim, esquecemos. Esquecemos de tudo que não fôssemos nós. Esquecemos que os anos passaram, que a vida aconteceu do jeito que tinha que ser e não como tanto desejamos um dia. Esquecemos que os anos a mais hoje nos permitem ver o que fizemos de errado com anos a menos, mas que isso não faz o tempo voltar. Esquecemos o que nos distanciou.


   Apenas esquecemos.


   E mais uma vez, vamos precisar esquecer e deixar os anos passarem e a vida seguir o rumo que o vento lhe impõe. A marca que um dia o veleiro do tempo deixou nos meus pés acabou por se tornar o guia da minha caminhada. E por marcar a nossa história pra sempre na alma. No coração.


   Não passou. Não vai passar. Mas a vida vai seguir como sempre seguiu.


   Pois é, a nossa história é só nossa, e eu gosto (muito) dela. Que pena que não seguimos lado a lado... e que presente divino termos seguido assim um dia, e podermos levar isso pra sempre!


   "Eu ainda não parei para avaliar os acontecimentos"...e nem vou. Vou deixar você viver aqui dentro, porque haja o que houver, teu lugar em mim é teu. E hoje mais do que nunca eu tenho absoluta certeza de que o meu lugar em você está guardado, também. Guardado, protegido, cuidado, e VIVO nessa alegria que só nós sabemos que existe.


   O Rio tem outro significado, agora. Aliás, tantos rios já fizeram parte de nós, não?


   Let the river run...