Morar sozinha tem ônus e bônus, e só quem faz parte do seleto time do "Me, Myself and I" sabe do que eu estou falando. O dilema do combo cansaço+jantar é parte disso.
Trabalho, supermercado, e finalmente casa. O corpo pede descanso, mas a alma pede pela caipiroska (que invariavelmente não consigo terminar) e pela música do barzinho favorito . A falta de companhia aborta o plano. Resta obedecer à vontade do corpo. Ah, ainda preciso comer...
Quando eu comprei isso?
Nossa, acabei de sair do mercado e não lembrei que a margarina estava no fim.
Olha! Ainda tenho um pouco da minha geléia de cabernet aqui, que fica perfeita com as torradas que eu trouxe.
Validade vencida. Lá vai mais um pote de iogurte para o lixo...
Será que foi minha mãe que deixou isso no congelador, ou foi o Alexandre, quando esteve aqui?
Portillo, me aguarde que já já chega sua vez!
Frango, tempero... Ok, resolvido!
Enquanto a Air Fryer faz seu trabalho, me pego pensando que as surpresas do armário e do congelador acontecem todo o tempo, mas só percebemos quando, de fato, precisamos encará-las.
Descobrir um sentimento que estava ali e você não sabia.
Perguntar-se o que fazer com a solidão da sexta-feira.
Perceber que o prazo de validade daquele relacionamento (?) venceu, e é preciso se desfazer dele, antes que te prejudique.
Animar-se com as oportunidades que ainda estão ali e você pensou que já não existiam. Ainda dá para aproveitá-las!
Entender que, se bem utilizadas e combinadas com os ingredientes certos, até aquelas pedras que você não tinha notado no caminho podem render algo de bom.
Dar-se conta de que às vezes você nem sabe dizer quem ou o que deixou aquele sentimento em você, e que só importa, de fato, o que você decide fazer com ele.
Opa, tá pronto. Deixa eu atender o pedido do corpo. Com a alma, eu me entendo amanhã.


