quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

In vino veritas



   Peça a quem bem me conhece que me associe a algo, e a resposta certamente será automática: CAFÉ. E por que, então, um post sobre vinho?

   Novas (e arrebatadoras) paixões  acontecem. O que de maneira alguma significa a morte das antigas. As minhas, aliás, coexistem em paz, sem a mínima necessidade sequer da famosa D.R. Se entendem, se completam. ME completam.

   O café já tem seu posto garantido. É aquele amor maduro, dito diariamente,  mas já no estágio da pacificidade, que só a segurança e certeza dos longos e cúmplices amores traz. Me faz companhia, é parceiro na outra paixão (os livros), me traz conforto ao exalar seu cheiro já há tempos conhecido e não por isso menos amado, me faz suspirar profundo e dormir tranquila. É, até a cafeína já entendeu a nossa ligação.

   O vinho, por sua vez, é a paixão em estágio inicial e intenso. É a vontade de descobrir cada detalhe do novo amante, de entender devagar como reconhecer suas melhores qualidades e como permitir que ele lhe invada, sem que se perca o juízo (ou propositadamente se deixando perder). É a secura na boca num momento tenso, e o esquentar do sangue ao senti-lo percorrer o corpo. É conhecer, aos poucos, cada nuance, quais delas encantam mais, e quais podem ser deixadas de lado sem prejuízo à intensidade do envolvimento. É o aguardo do próximo encontro e de qual novidade virá com ele. É a sensação de encantamento, de aos poucos evoluir do "estamos nos conhecendo melhor" para o "ele tem o que eu preciso". É saber que há muito mais a desvendar, e encontrar nessa certeza o tesão necessário para prosseguir a busca. Dionísio tinha razão, inclusive, em perder a razão.

    Essa relação ainda "verde", característica natural de certa variedade de uvas e do início de grandes histórias, começou como tantas outras: por meio de um amigo em comum. Buscando o clima "mi casa, su casa" ,vali-me da intuição dos leigos na escolha da rolha e ... voilá ! Percebi-me entregue ao charme rubro e perfumado, derramado habilmente nas taças pelas mãos precisas daquele que nos aproximou. Atirei-me sem rede de proteção à leveza que chegava aos goles. Ele, o vinho, chegou para completar o cenário e seguir comigo depois que o instante (não sem deixar um sorriso na lembrança e um arrepio na memória da pele) passou. "Blind date" que valeu cada gota sorvida. Rubi e marfim. Aposta acertada. Duplamente acertada.

    O título do post é meio óbvio e previsível. O restante da minha história com essa nova red passion, não. Ainda bem que não.

    Cheers!

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